SUS inicia transição da insulina humana para insulina de ação prolongada

Rafael Nascimento/MS

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou um processo de atualização no tratamento do diabetes oferecido à população. Sob coordenação do Ministério da Saúde, a rede pública começou a implementar a transição gradual da insulina humana tradicional para a insulina de ação prolongada, considerada mais moderna e com maior estabilidade no controle da glicemia.

Segundo informações do próprio Ministério da Saúde, a mudança faz parte de uma estratégia de qualificação da assistência farmacêutica do SUS. A pasta destaca que a incorporação da nova insulina ocorre de forma planejada, respeitando critérios clínicos e a capacidade de acompanhamento das equipes de saúde, sem prejuízo aos pacientes que já realizam tratamento contínuo.

O órgão federal ressalta que a substituição não será automática. Cada caso será avaliado individualmente por profissionais da rede pública, levando em conta histórico médico, resposta ao tratamento e condições de saúde do paciente. O objetivo, de acordo com o SUS, é ampliar o acesso a terapias mais eficazes, mantendo a segurança e a continuidade do cuidado.

A iniciativa teve início por meio de um projeto-piloto em Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal. Nessa fase, o público prioritário inclui crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais, diagnosticados com diabetes tipo 1 ou tipo 2. A estimativa é de que dezenas de milhares de pessoas sejam atendidas nesta etapa inicial

O Ministério da Saúde informa ainda que a adoção da insulina de ação prolongada pode trazer benefícios importantes à rotina dos pacientes, como maior previsibilidade no controle do açúcar no sangue e redução de episódios de variação glicêmica ao longo do dia. A pasta avalia que essas características podem contribuir para maior adesão ao tratamento, especialmente entre públicos mais vulneráveis.

Para garantir a implementação segura da mudança, o SUS também está promovendo capacitação de profissionais da atenção primária, com orientações sobre prescrição, uso correto das canetas aplicadoras e acompanhamento dos pacientes durante o período de adaptação ao novo medicamento.

Outro ponto destacado pelo governo federal é que a ampliação do uso da insulina de ação prolongada está ligada a uma política de fortalecimento da produção nacional de medicamentos, com transferência de tecnologia e redução da dependência de fornecedores internacionais. A medida busca assegurar o abastecimento regular da rede pública e dar maior autonomia ao sistema de saúde.

Após a conclusão do projeto-piloto, o Ministério da Saúde deve analisar os resultados clínicos e operacionais para definir os próximos passos. A expectativa do SUS é ampliar gradualmente a iniciativa para outros estados, conforme a avaliação dos dados e a estrutura disponível na rede pública.

Entenda como funciona a insulina de ação prolongada

A insulina de ação prolongada é um tipo de insulina desenvolvida para atuar de forma contínua no organismo por um período que pode chegar a 24 horas. Diferentemente da insulina humana tradicional, que exige aplicações em horários mais rígidos, a versão de ação prolongada mantém níveis mais estáveis do hormônio ao longo do dia.

Na prática, isso significa que muitos pacientes podem realizar apenas uma aplicação diária, o que facilita a rotina de tratamento e reduz o risco de oscilações bruscas da glicemia. Por esse motivo, esse tipo de insulina já é amplamente utilizado em protocolos mais recentes de tratamento do diabetes.

O SUS reforça que a indicação da insulina de ação prolongada depende sempre de avaliação médica, e que nenhum paciente deve alterar seu tratamento por conta própria. A transição faz parte de um processo estruturado, conduzido pelas equipes de saúde da rede pública.