Ministério da Saúde passa a recomendar mamografia a partir dos 40 anos
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (22) a atualização das diretrizes nacionais para o rastreamento do câncer de mama. A partir de agora, a mamografia passa a ser recomendada anualmente para mulheres a partir dos 40 anos de idade. Até então, a recomendação oficial era para mulheres entre 50 e 69 anos.
Declaração oficial
Durante coletiva em Brasília, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, ressaltou a importância da medida:
“O diagnóstico precoce salva vidas. Antecipar o rastreamento amplia as chances de tratamentos menos agressivos e aumenta a sobrevida das pacientes. Essa decisão é fruto de estudos, diálogo com sociedades médicas e compromisso com a saúde da mulher brasileira.”
Dados sobre o câncer de mama no Brasil
- O câncer de mama é o mais incidente entre mulheres no país, exceto os de pele não melanoma.
- O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 74 mil novos casos anuais até 2025.
- Aproximadamente 30% dos diagnósticos de câncer em mulheres estão relacionados à mama.
- Em torno de 40% das pacientes brasileiras ainda descobrem a doença em estágios avançados, quando o tratamento é mais difícil e as chances de cura diminuem.
Impacto da nova diretriz
Com a ampliação da faixa etária, a rede pública de saúde deverá atender mais de 10 milhões de mulheres adicionais em idade de rastreamento. O Ministério da Saúde informou que serão destinados recursos para:
- Aumento da oferta de exames em unidades do SUS;
- Capacitação de profissionais da atenção primária para encaminhamento mais rápido;
- Integração de dados em plataformas digitais, permitindo melhor acompanhamento dos casos;
- Campanhas nacionais de conscientização, reforçando a importância da realização anual do exame.
Contexto internacional
O Brasil se aproxima de recomendações já adotadas em países como Estados Unidos e Canadá, que recomendam a mamografia a partir dos 40 anos. Na Europa, há variações: em alguns países o rastreamento começa aos 40, em outros aos 45. Em todos os casos, o objetivo central é reduzir a mortalidade por meio da detecção precoce.
Desafios do SUS
Especialistas apontam que a principal barreira para a efetividade da medida é a capacidade de absorção da demanda pelo sistema público. Atualmente, muitas mulheres enfrentam espera de até seis meses para realizar o exame em algumas regiões. O governo anunciou que a prioridade será reduzir filas e garantir que os laudos sejam entregues em prazo adequado para o início imediato do tratamento, quando necessário.
Orientações às mulheres
Além da mamografia, o Ministério da Saúde reforça a importância do autoexame e das consultas médicas regulares. Alterações como nódulos, secreções ou mudanças na pele da mama devem ser avaliadas imediatamente. A recomendação é que mulheres a partir dos 40 anos realizem o exame anualmente, mesmo sem sintomas.
Próximos passos
O Ministério lançará em outubro, mês dedicado à campanha Outubro Rosa, um plano de mobilização nacional. Serão incluídas ações itinerantes em municípios de difícil acesso, parcerias com secretarias estaduais de saúde e ampliação do uso de unidades móveis para realização da mamografia.


