Geólogos identificam pulsações subterrâneas semelhantes a batimentos cardíacos sob a Etiópia
O fenômeno geológico intriga cientistas e reforça sinais de que uma nova placa tectônica está se formando no continente africano
Um grupo de geólogos identificou, abaixo da crosta terrestre na região da Etiópia, um fenômeno impressionante: pulsos rítmicos que se repetem a cada 6 minutos, semelhantes a batimentos cardíacos. A descoberta, que vem sendo estudada por pesquisadores da Universidade de Oxford e do Instituto de Pesquisa Geofísica da Etiópia, indica que o manto terrestre naquela área apresenta uma atividade cíclica, como se o planeta estivesse “vivo” e pulsando de forma constante sob nossos pés.
Essas pulsações são geradas a partir de movimentos intensos do magma no manto superior — a camada logo abaixo da crosta — e estão diretamente ligadas à Rift da África Oriental, uma gigantesca fenda geológica que está lentamente dividindo o continente africano. Segundo os pesquisadores, essas batidas subterrâneas não são provocadas por terremotos comuns, mas por uma movimentação quase regular de material fundido, que empurra as placas tectônicas de forma gradual e silenciosa.
A região afetada, conhecida como Dorsal da Etiópia, está entre as mais geologicamente ativas do planeta. Ali, três placas tectônicas (a africana, a arábica e a somali) se encontram e estão lentamente se afastando. O fenômeno registrado pelos geólogos reforça a teoria de que, em alguns milhões de anos, o continente africano pode de fato se dividir, formando um novo oceano entre os blocos terrestres.
As pulsações detectadas vêm sendo monitoradas por uma rede de sensores sísmicos e mostram uma regularidade surpreendente, como se o magma estivesse “respirando”. Para os cientistas, esse comportamento não apenas revela novos aspectos da dinâmica interna da Terra, como também ajuda a entender os primeiros sinais da formação de uma nova placa tectônica — algo raro de ser presenciado em tempo real.
Embora o fenômeno ainda esteja em fase de análise, ele já chama a atenção da comunidade científica internacional, pois pode fornecer pistas valiosas sobre o funcionamento do planeta em suas camadas mais profundas. A descoberta também pode contribuir para aprimorar modelos de previsão de atividade sísmica e vulcânica em regiões instáveis.
O planeta pulsa, respira e se movimenta. E agora, os sinais de vida sob o solo africano mostram que a Terra ainda tem muito a revelar.


