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Gastos com apostas esportivas adiam formatura para 34% dos jovens brasileiros em 2025

Gastos com apostas esportivas adiam formatura para 34% dos jovens brasileiros em 2025

Uma pesquisa recente revelou um dado preocupante: 34% dos jovens brasileiros entre 18 e 29 anos afirmaram ter adiado ou desistido temporariamente da graduação universitária por conta de gastos excessivos com apostas esportivas online, popularmente conhecidas como “bets”.

O levantamento, realizado em junho de 2025 pelo Instituto Nacional de Tendências Sociais (INTS), ouviu 2.100 jovens em todas as regiões do país. A pesquisa mostrou que o uso frequente de plataformas de apostas vem impactando diretamente o planejamento financeiro, educacional e emocional dessa geração.

Comecei apostando com valores pequenos, mas fui me empolgando e quando vi, já não conseguia mais pagar minhas mensalidades da faculdade. Achei que ia ganhar rápido, perdi muito mais.” — Lucas, 23 anos, estudante de administração (SP)

Outros entrevistados relataram que o uso das apostas se intensificou durante o período da pandemia e, mesmo após a retomada da economia, o hábito permaneceu. Segundo o estudo, cerca de 62% dos jovens que usam plataformas de apostas com regularidade dizem sentir ansiedade, pressão social e arrependimento frequente.

A psicóloga comportamental Carla Menezes, especialista em comportamento digital, alerta:

As bets oferecem dopamina imediata, criam sensação de controle e, ao mesmo tempo, geram ciclos de culpa e compulsão. Muitos jovens canalizam frustrações e esperanças nessas apostas como uma alternativa fácil de sucesso.

Segundo o INTS, mais de R$ 3,6 bilhões foram movimentados por brasileiros em plataformas de apostas apenas no primeiro trimestre de 2025, com a maioria dos usuários na faixa de 18 a 30 anos. A crescente exposição desse público a influenciadores e propagandas ligadas ao futebol e jogos online também contribui para o aumento do vício.

Em resposta ao problema, universidades como a UFBA, UFRJ e USP começaram a oferecer ciclos de palestras e grupos de apoio para alunos com comportamentos compulsivos ligados a jogos de aposta, além de campanhas de educação financeira.

Não se trata apenas de jogo, mas de futuro. Cada jovem que perde o rumo por conta das apostas é um talento desperdiçado.” — João Paulo Costa, reitor da UFRJ

A pesquisa acende um alerta sobre a urgência de regulação mais firme e educação preventiva, para que o entretenimento não se transforme em obstáculo aos sonhos acadêmicos e profissionais de uma geração inteira.

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