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Implante contraceptivo de longa duração agora é gratuito pelo SUS: avanço histórico na saúde da mulher

Implante contraceptivo de longa duração agora é gratuito pelo SUS: avanço histórico na saúde da mulher

Com duração de até três anos, método representa mais liberdade, proteção e dignidade para milhares de brasileiras

O implante contraceptivo subdérmico, recentemente incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), tem duração de até 3 anos no corpo da mulher. Trata-se de um bastonete pequeno, flexível e discreto, com cerca de 4 centímetros, que é inserido sob a pele do braço e libera de forma contínua o hormônio etonogestrel. Esse hormônio age principalmente inibindo a ovulação, espessando o muco cervical e dificultando a entrada dos espermatozoides no útero, tornando o ambiente hostil à fecundação. Uma das grandes vantagens desse método é justamente sua longa duração combinada com a ausência de necessidade de manutenção: após a aplicação, a mulher não precisa se preocupar com uso diário, esquecimento de horários ou refazimento frequente da prescrição, como ocorre com os métodos de curto prazo. Além disso, é um método reversível: a fertilidade retorna naturalmente poucas semanas após a retirada, sem prejuízos à saúde reprodutiva.

Ao optar pelo implante, uma mulher que utilizaria o anticoncepcional oral diário deixaria de ingerir aproximadamente 1.095 comprimidos hormonais ao longo de 3 anos, considerando o uso diário contínuo. Essa substituição não representa apenas praticidade; ela tem um peso significativo na qualidade de vida, na estabilidade hormonal e na redução de riscos associados ao uso incorreto da pílula. Estudos mostram que a taxa de falha do anticoncepcional oral pode chegar a 7% ao ano, principalmente por uso inadequado — como esquecer de tomar no horário certo ou interromper o uso sem orientação médica. Com o implante, esse índice despenca para menos de 1%, o que coloca o método entre os mais eficazes disponíveis atualmente, comparável inclusive à laqueadura tubária, mas sem o caráter definitivo.

Além da eficácia, o impacto desse método sobre a rotina e a autonomia feminina é profundo. Muitas mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social, enfrentam barreiras práticas e emocionais para manter o uso contínuo de métodos como a pílula ou a injeção mensal. A introdução do implante no SUS oferece a essas mulheres uma solução que não exige acompanhamento frequente nem recursos financeiros — algo especialmente importante em regiões onde o acesso ao sistema de saúde é limitado ou instável. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversos estudos brasileiros já destacaram que os métodos de longa duração (LARCs), como o implante e o DIU, não apenas reduzem a taxa de gravidez indesejada, mas também estão associados à diminuição dos índices de evasão escolar, mortalidade materna e até violência doméstica em alguns contextos.

Portanto, não se trata apenas de uma questão de escolha contraceptiva: o que o SUS está oferecendo agora é uma ferramenta de transformação social. É saúde reprodutiva aliada a dignidade, planejamento familiar aliado à liberdade. A mulher que escolhe o implante não está apenas evitando uma gravidez: ela está retomando o controle do seu tempo, da sua trajetória e das possibilidades que se abrem quando o corpo é respeitado e amparado com tecnologia, política pública e cuidado de verdade. O impacto é silencioso, mas poderoso. E para muitas brasileiras, esse pequeno bastão sob a pele pode significar, na prática, um novo capítulo de autonomia, proteção e conquista.

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