Perigo! Dispositivo utilizado para bloquear música na praia pode interferir em marca-passos e causar riscos fatais
Bloqueador também pode comprometer o funcionamento de outros dispositivos médicos, como desfibriladores e bombas de insulina.
O que começou como uma brincadeira de um argentino, que utilizou um bloqueador de som para silenciar uma caixa de som em uma praia brasileira, pode representar um grande perigo. Especialistas alertam que o dispositivo pode causar interferências sérias no funcionamento de marca-passos, representando risco de morte para pessoas com problemas cardíacos.
“Quando isso ocorre, o marca-passo pode ser desprogramado, resultando em batimentos cardíacos irregulares e riscos como desmaios, quedas ou até situações de emergência mais graves”, explicou o cirurgião cardiovascular Edmo Atique Gabriel em entrevista ao UOL. Segundo ele, os marca-passos, feitos de titânio e configurados para emitir ondas eletromagnéticas, podem sofrer interferências diretas com o uso desse tipo de dispositivo.
Além dos marca-passos, o bloqueador também pode interferir no funcionamento de outros dispositivos médicos, como desfibriladores e bombas de insulina, colocando a saúde dos pacientes em sério risco.
Um turista argentino ganhou destaque ao compartilhar um vídeo em que mostra o uso de um dispositivo capaz de silenciar uma caixa de som em uma praia no Brasil.
No vídeo, uma música da cantora Ana Castela toca em alto volume em uma caixa de som. Após o turista pressionar um botão no dispositivo, o som é imediatamente interrompido. Com 12 segundos de duração, o vídeo foi postado por Roni Baldini, o criador do aparelho, na plataforma X (antigo Twitter). Ele mencionou ter passado por Salvador e Fortaleza durante sua viagem, mas não especificou onde as imagens foram gravadas.
O dispositivo foi projetado para interferir nas conexões Bluetooth entre aparelhos, interrompendo a comunicação entre eles. Segundo o UOL, Baldini explicou em um post que desenvolveu dois modelos do equipamento — um maior e outro menor — que conseguem bloquear conexões Bluetooth em áreas específicas. No vídeo, a interferência entre a caixa de som e o dispositivo controlador é o que causa o silêncio no alto-falante.
Baldini destacou que o dispositivo só opera com conexões Bluetooth. Se a caixa de som estiver conectada a um pen drive, por exemplo, o equipamento não surtirá efeito. Além disso, outros fatores podem limitar sua eficácia, como a proximidade do celular ou dispositivo controlador, o que pode dificultar a interferência. O alcance do aparelho varia entre 3 e 10 metros.
A atitude do turista gerou diversas reações na internet. Alguns usuários demonstraram interesse, perguntando onde poderiam comprar o produto. “Ótima ideia. Eu preciso de um desses para usar na vizinhança. O brasileiro acha que todos têm que ouvir sua música, sem fone de ouvido, e acaba estourando os tímpanos de todo mundo”, comentou um internauta. “Um sonho”, afirmou outro.
Vale destacar que bloqueadores de sinais são proibidos no Brasil. A legislação permite seu uso apenas em situações específicas, mediante autorização dos órgãos competentes, como a Anatel. Segundo a Lei Geral de Telecomunicações (Lei nº 9.472/1997), o uso não autorizado de bloqueadores é considerado atividade clandestina, sujeitando os infratores a penalidades de 2 a 4 anos de detenção.


